Co-Working: Por que pensar no assunto?

Co-Working: Por que pensar no assunto?

Cada vez mais os adventos tecnológicos do período em que vivemos nos permitem derrubar a barreira que existia entre mundo real e mundo virtual. Veículos de comunicação, palestrantes e formadores de opinião em geral ainda tentam fazer essa separação nos seus discursos, mas o fato é que é ingenuidade pensar que existem dois mundos e que você escolhe por conta própria o momento certo de estar em um ou em outro. Não existe mundo real e mundo virtual, existe um único mundo de pessoas conectadas de maneiras diversas sem precedentes. Uma vez que você consegue estipular um espaço mental de trabalho, seja sozinho ou em equipe, subordinado ou delegando, a necessidade de uma estrutura física como base para o start de uma ideia, empreendimento ou motivação, se esvai naturalmente e a evolução para um estado móvel de trabalho que não exige custos extras, horários rígidos, solidão corporativa (o que ocorre quando muitas pessoas executam as mesmas ações ao mesmo tempo sem interação) e todas as máscaras impostas como um sistema para que o mercado seja controlado e comedido caem, a eliminação dos problemas relativos ao processo em si são eliminados e é aí que a criatividade inerente ao empreendedorismo e a dinâmica mutável das novas gerações de empresários que já nasceram com a segurança que a possibilidade de acessar todos os seus círculos, prazeres e aprendizados na ponta dos dedos a qualquer momento, fazem com que a criatividade produtiva se manifeste de forma pura e ativa.

Uma vez que o indivíduo possui essa segurança mental proporcionada pelo estilo de vida tecnológico, ele não precisa mais da segurança de quatro paredes e limites rígidos de horário. O co-working é um reflexo da evolução das relações humanas no ambiente de trabalho, e arrisco dizer que as próximas gerações, não muito além, virão sem a necessidade de um co-working, tendo no estado mental desenvolvido com esta segurança desde a infância a certeza de que referências espaciais são um estado de percepção, e não físico.

Benefícios para os negócios e seus gestores
A convivência com processos diferentes a cada dia gera uma capacidade de análise muito grande, uma vez que você precisa lidar e conviver diariamente com pessoas diferentes, com motivações e habilidades diferentes e, no dia a dia, isso ensina muito mais do que qualquer faculdade ou curso. A grande chave do sistema de co-working é a liberdade de poder decidir sem limites muito definidos como era nas gerações passadas. Uma vez que o processo em si não é mais uma preocupação, as pessoas começam a investir o tempo em geração e execução de ideias e não em resolução de problemas que nada tem a ver com o trabalho.

Cuidados a observar
Toda empresa ou pessoa tem um DNA corporativo, uma conduta empresarial. Uma empresa honesta, que aplica seus princípios de maneira correta e respeita os processos dos seus funcionários, agirá da mesma forma em qualquer configuração de ambiente de trabalho, assim como uma empresa de má fé fará em qualquer ambiente físico, digital ou colaborativo, o que faz dentro de suas dependências.

Não existem armadilhas específicas geradas pelo sistema de co-working em si, existem armadilhas geradas pela conduta empresarial de certos tipos de empresas que, quando for tentada qualquer mudança de rotina, estes problemas serão naturalmente agravados. O importante para qualquer sistema baseado no co-working ou homeoffice é a confiança e a comunicação. No momento em que a comunicação é clara e a confiança é mútua, uma pessoa pode estar no Rio Grande do Sul e outra em Cingapura, que não haverão armadilhas. O co-working  é apenas um meio, o conteúdo quem apresenta são as pessoas, com os seus defeitos, falhas e erros que geram armadilhas.

Como escolher um espaço?
No geral, co-working significa lidar com pessoas. Você terá o seu trabalho, mas dividirá o espaço com pessoas que também tem seus diversos trabalhos. A diferença de um sistema normal de trabalho para o co-working é que no co-working você faz escolhas que no sistema convencional não são feitas por você. E como tudo na vida, tudo tem um ônus e um bônus. Você deve observar as mesmas regras pessoais que tem para escolher uma casa para morar ou um escritório para trabalhar. A diferença é que você compartilhará esse espaço de maneira cooperativa em troca do baixo custo e possibilidades técnicas e espaciais que não teria condições de obter sozinho. Então, o básico é buscar algo onde você se sinta fazendo parte. Seja pelo espaço físico, seja pelos recursos que motivam, seja pela facilidade de acesso, enfim. O que muda é o estado mental, o objetivo, que no final do dia, é entregar o trabalho, continua o mesmo em qualquer um dos sistemas, velhos ou novos. O que você está escolhendo é o melhor caminho que se enquadra nos seus objetivos e motivações profissionais.

Uma boa administração é fundamental. Mesmo que o conceito do co-working é que o espaço deixa de ser um problema e passa a ser um solução quando passa a ser gerido organicamente por quem utiliza, estamos lidando com pessoas e pessoas diferentes em um mesmo ambiente que procura quebrar regras instauradas há décadas. Então uma boa administração, inteligente e criativa, é fundamental para o sucesso de um espaço desse tipo. Ter uma equipe que se preocupa desde com os materiais mais fundamentais como lápis e papel, às mais avançadas técnicas de decoração e motivação. Estamos lidando com pessoas que não aceitam os padrões rígidos ultrapassados, mas que não se sentem bem em estarem trabalhando sozinhas em casa. São pessoas que necessitam de uma motivação constante para justificar as suas escolhas, pois são pessoas ativas e que buscam resultados, seja qual for a sua motivação. A falta de um material de trabalho ou um local desorganizado são gatilhos para desmotivar uma pessoa criativa que busca este tipo de espaço justo para não ter que lidar com este tipo de conflito sozinha.

Além da administração, um conjunto de regras básicas claras também é fundamental. Um grupo de pessoas sem regras dificilmente conseguirá se entender por muito tempo e o espaço deixará de ser produtivo quando houver falhas na comunicação. Como em qualquer interação humana, o principal é você conseguir alinhar no mesmo espaços pessoas de motivações diferentes mas com os mesmos objetivos de vida e a melhor forma de conseguir isso é dando uma personalidade única ao espaço focada em atrair o tipo de pessoas que se almeja para ocuparem as dependências do estabelecimento.

Costuma-se dizer erroneamente que o crescimento da busca pelo co-working é resultado da crise. Não é o resultado de nada, é apenas uma evolução na necessidade de interação humana, fomentada pelas facilidades tecnológicas. Nada tem a ver com crise. Sim, na crise é uma ferramenta que pode ser explorada em razão do baixo custo, mas este não é e nunca foi o objetivo principal.

Resumindo, Co-working, em sua teoria, é um agrupamento de pessoas com objetivos diferentes mas com afinidades semelhantes, que se unem, cada um representando o seu papel na micro comunidade do espaço ocupado para todos alcançarem seus objetivos. São pessoas que não se enquadram no velho sistema analógico mas sente o distanciamento digital como algo frio e buscam estes espaços para utilizar o máximo da tecnologia e a liberdade que ela proporciona, porem sem deixar de lado a interatividade do contato presencial.


 

Mário Pertile é especialista em Branding e presta Consultoria emImagem Estratégica para empresas e profissionais autônomos. Também é autor do livro “Segredos para um Bom Logotipo – O que você precisa saber antes de contratar um designer” que pode ser baixado gratuitamente nowww.mariopertile.com.br/segredos | Saiba + sobre Mário Pertile aqui.

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