Internet: De onde viemos, para onde vamos?

Internet: De onde viemos, para onde vamos?

A internet surgiu no final da década de sessenta, no ápice da guerra fria em um momento em que informação era tudo que um dos blocos políticos da época precisava obter do outro para planejar suas estratégias de antecipação. Basicamente, a ARPANET surgiu como uma necessidade do governo dos Estados Unidos de executar uma comutação de pacotes no tráfego de informações entre um ponto e outro, evitando assim a perda de informações em ataques ou roubo de toda a informação em um único ponto ou na transferência de dados. Na época se falava em uma rede intergaláctica de computadores em que o conceito era simplificadamente o que temos hoje. Pulando toda a parte técnica do desenvolvimento, em 1992 o cientista Tim Berners-Lee, do CERN, criou aWorld Wide Web, a semente da internet que conhecemos hoje. Logo após, a Netscape criou o protocolo “https”, possibilitando transações comerciais com segurança.

A internet surgiu como uma forma de defesa de informações em cenários de guerra e após ganhar forma, foi delegada ao setor sem objetivo militar da organização, o que tirou o foco da defesa e colocou na comunicação e compartilhamento de conhecimento entre universidades, depois alunos, depois empresas e assim se transformou na Superhighway of Information (expressão já vislumbrada pelo então senador Al Gore em 1992) que vemos hoje.

Acredito que os checkpoints principais que transformaram a internet no que temos hoje são simples. Após a subversão do conceito de proteção de informação para o compartilhamento dela, foi possível abrir um leque de possibilidades técnicas de colaboratividade e este sentimento começou de dentro para fora, dos criadores para os usuários. A possibilidade de transações comerciais através do “https” também foi um ponto chave para a evolução do comércio e das transações bancárias como vemos hoje e para fazer com que o avanço de todos os setores fosse estratosférico, uma vez que você não precisa mais desprender tempo físico para burocracias, qualquer pessoa comum pode abrir uma empresa e ganhar dinheiro se bem planejado, receber de diversas formas, etc.

O que mudou do mundo sem internet para o mundo com internet, foi a forma das pessoas se comunicarem, basicamente. A internet pública começou como um terreno onde todos a viam como um lugar de hackers, tarados e mulheres depravadas. Coisa de nerd, de gente estranha. Aos poucos, a maturidade da geração que estava surgindo permitiu que ela começasse a ver que o que diziam para eles que era gente estranha, na verdade eram pessoas com mentes revolucionárias que estavam mudando o mundo, começaram a segui-los, a estudar essa nova ferramenta, a identificar as possibilidades de conexão e decifrar os códigos do sistema para começar a criar uma zona franca de comunicação e compartilhamento.

O ativismo em prol da liberdade na internet hoje é muito grande, pois não existe um mundo virtual e um mundo real. Existe um mundo. E qualquer tentativa de cerceamento da liberdade no ambiente digital é uma afronta à evolução humana e à maneira como decidimos viver hoje. Mais leves, mais organizados, mais dinâmicos e mais instantâneos. Mais conectados.

Do micro ao macro

O beneficio maior que a internet proporcionou foi a possibilidade de unir pessoas com os mesmos problemas, interesses ou habilidades, que achavam ser únicas no mundo e perceberam que podem se abrir com pessoas iguais a elas. Nesses vários pequenos nichos, pessoas se destacaram e se tornaram líderes dos seus segmentos e levaram seus seguidores a esta evolução. Isso deu start a empresas, a ongs, a foruns, e todo este bolo de pessoas diferentes agora conectadas construíram as inovações que utilizamos hoje. Talvez as sociedades individualmente não estivessem no melhor momento para unir costumes e divergências neste segmento da linha temporal da nossa história e alguns conflitos graves certamente foram gerados por essa globalização forçada que o advento da internet gerou. Mas, algum dia, isso precisaria acontecer.

O que está por vir, a curtíssimo prazo, é a internet das coisas, que já é uma realidade. Após celulares e tablets, agora as coisas estão se conectando, se comunicando, auxiliando no dia a dia. Abrindo uma infinidade de possibilidades para desenvolvedores e entusiastas da tecnologia. A realidade virtual, hoje com o projeto de óculos de papelão do Google para ter efeito de imersão em dispositivos móveis já está a venda (e é surpreendente!). A longo prazo, não se pode descartar a internet das pessoas. Como hoje temos o Google Glass, uma tecnologia em constante desenvolvimento, já temos estudos e projetos sobre o mesmo conceito do Glass, porém implantado no próprio olho através de nanochips. Isso envolve questões éticas que certamente darão pano pra manga, mas, de qualquer forma, já é uma realidade da qual não temos mais como fugir. Assim como os aparelhos celulares, no início, foram vilões, eram tachados de modismo ou ostentação. Era até constrangedor atender na rua. Hoje, dispositivos portáteis não são moda. Foram na época do tijolão. Ninguém se imagina saindo de casa sem alguma tela para ficar passando o dedo. Não é por modismo, a sua vida, os seus contatos, as suas fotos, tudo que você é e conhece, está ali, sem a necessidade de processamento mental. Existe todo o caráter consumista, sim, de comprar umIOS porque é da Apple ou comprar um Android porque é do Google, aí você pode abrir uma outra discussão sobre comportamento, perfil e motivações do consumidor. Mas o fato é que o objeto “device” não vai mais embora. Pode evoluir, ter outros formatos, ser embutido no corpo ou ter qualquer outra forma de utilização. O que importa e é preciso que se diga imperativamente, é que para viver da maneira que decidimos viver hoje, apenas o corpo humano e o cérebro não são mais suficientes para acompanhar o flow da humanidade.

 

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